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“Sobre Religião: Racionalismo” (Ueber Religion: Rationalismus) é um ensaio de Arthur Schopenhauer presente no segundo volume de “Parerga und Paralipomena” (Obras Acessórias e Suplementos), capítulo XV “Ueber Religion”, seções 182 e 183 “Rationalismus”, publicado em 1851.
No ensaio, Schopenhauer sustenta que o núcleo autêntico do Cristianismo reside em seu pessimismo metafísico: a doutrina do pecado original, da corrupção essencial do homem e da necessidade de redenção. Por isso, considera o Cristianismo espiritualmente mais próximo do Bramanismo e do Budismo do que do Judaísmo ou do Islamismo, que julga religiões otimistas. A diferença fundamental entre as religiões não estaria em serem monoteístas ou politeístas, mas em exprimirem uma visão pessimista ou otimista da existência. A religião, segundo ele, não transmite verdade filosófica literal, mas uma verdade alegórica adaptada ao povo.
Schopenhauer critica tanto os racionalistas quanto os supranaturalistas. Os primeiros destruiriam a essência do Cristianismo ao tentar reduzi-lo a um moralismo racional compatível com o teísmo ilustrado; os segundos, embora preservem o conteúdo simbólico profundo da religião, frequentemente transformariam alegorias em verdades literais. O ensaio termina com a tese de que o avanço das ciências dissolve progressivamente a autoridade religiosa: fé e saber tenderiam a tornar-se incompatíveis, de modo que o Cristianismo caminharia lentamente para o declínio histórico.
Sobre esta edição, tradução direta do alemão por Lucas Praxedes, do livro “Parerga und Paralipomena” volume 2. No texto, A.T. e N.T., significam respectivamente Antigo Testamento e Novo Testamento. Schopenhauer faz citações diretas a vários outros textos em seus idiomas originais, como grego, latim, inglês e francês, nesses casos, manteve-se a citação original e inclui-se a tradução em seguida entre parênteses. Notas e referências incluídas que não são do Schopenhauer, mas da tradução tem o indicativo da “, N” nos parênteses. Como esse ensaio faz parte de um capítulo maior, de um livro maior, Schopenhauer também faz referência a outras seções do próprio livro.
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