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Descrição do livro

“A má qualidade da foto faz parte da matéria. Eu quero dizer que a foto, mesmo com baixa resolução, é mais fiel do que se eu fosse pintar um retrato. Por isso que eu transferi a fidelidade à máquina, porque a máquina não mente.” O comentário do pintor José Cláudio era sobre sua crônica intitulada “Retrato”, que estava para sair no número 1 desta revista Pernambuco. Algumas horas depois de remeter aquela mensagem, ao editor Mário Helio, José Cláudio faleceu. Ele usa o verbo ser na última frase de sua crônica no presente e no passado. O que é, o que era, não o que, simplesmente, foi. E concluiu com a volta à origem, ao nascimento, talvez, inconscientemente, sabendo a morte o que ainda era vida. “Nessa foto de Léo, tirada de celular, transferi a responsabilidade da fidelidade à máquina. Essa é, sim, Léo, mesmo a foto embaçada. Ela era de 1931 e eu 1932”. Explica-se o contexto: como a fotografia que enviou para ilustrar o seu texto estava em baixa resolução, não dava para imprimi-la com a qualidade desejada. A foto de Léo, esposa dele, a quem homenageava, poderia ser trocada por um retrato que ele houvesse pintado dela? A resposta foi a enviada na última mensagem. Nesta edição, no entanto, preferimos dedicar o dossiê mensal não às questões do pintor José Cláudio, e, sim, ao seu trabalho como escritor. Por décadas, ele colaborou nos periódicos da Companhia Editora de Pernambuco; sobretudo, escrevendo crônicas, muitas delas antológicas, e, a maioria, por ele ilustradas. Num artigo publicado no Diario de Pernambuco, em 1965, utilizado como convite para o lançamento do seu livro Viagem de um jovem pintor à Bahia, José Cláudio se define: “Atualmente eu não pinto, somente faço desenho, embora o meu desenho tenha muito com pintura”. E diz mais: “Esse livro, que é também uma tentativa de literatura, coisa que começou a caminhar comigo tão cedo quanto a pintura, é pois a primeira parte de uma história que ainda não acabou e que quero contar”. Assim foi por toda a sua vida.

Número de páginas :80
Encadernação Revista Pernambuco #2:Estampado