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Um livro de dez centavos que ajudou a mudar a literatura.
Em junho de 1860, às vésperas da Guerra Civil Americana, a editora Beadle & Adams colocou em circulação um pequeno volume que podia ser comprado por apenas dez centavos.
Era Malaeska, de Ann S. Stephens.
A história não era inteiramente nova. Stephens já a publicara anteriormente, sob outra forma, no periódico Ladies' Companion, em 1839. O acontecimento decisivo de 1860 foi sua transformação em uma publicação barata, portátil e destinada a uma circulação muito mais ampla.
A fórmula parecia simples: narrativa emocionante, produção econômica, preço acessível e distribuição em larga escala.
Seu impacto, porém, seria extraordinário.
O próprio nome da coleção dizia tudo: Beadle's Dime Novels. Uma dime era a moeda americana de dez centavos. Pela quantia de uma única moeda, o leitor podia levar para casa uma narrativa completa.
A literatura de entretenimento encontrava uma nova escala de público.
A partir daí, centenas de títulos seriam publicados, outras editoras imitariam o modelo e as chamadas Dime Novels passariam a integrar profundamente a cultura popular norte-americana. A fronteira, os caçadores, exploradores, indígenas, soldados, bandidos, xerifes e aventureiros transformaram-se em personagens recorrentes desse universo.
Décadas antes de o cinema transformar o cowboy em um dos grandes símbolos da cultura americana, as publicações populares já estavam construindo, página após página, o imaginário do Oeste.
Nesse sentido, voltar a Malaeska é voltar a um dos pontos de partida dessa história.
Malaeska é esposa de William Danforth e mãe de seu filho, mas Danforth teme apresentá-los à sociedade branca, pensando no desprezo que sua família poderia reservar à esposa indígena e à criança mestiça.
Essa tensão é central para compreender a tragédia.
Malaeska encontra-se entre dois mundos sem pertencer plenamente a nenhum deles. Amor, preconceito, pertencimento e exclusão social atravessam sua história, conferindo ao romance uma dimensão que ultrapassa a simples aventura de fronteira.
Antes do western, a fronteira
Malaeska não é um western no sentido cinematográfico que a palavra adquiriria posteriormente.
Não encontraremos aqui necessariamente o universo codificado dos saloons, duelos ao meio-dia, xerifes e pistoleiros que o cinema consagraria.
A fronteira de Stephens é anterior.
É a América das florestas, dos pequenos assentamentos, dos caçadores e das tensões entre colonizadores e populações indígenas. A própria abertura do romance conduz o leitor às montanhas Catskill e ao vale do Hudson, reconstruindo literariamente uma região ainda apresentada como território selvagem, onde um pequeno núcleo de colonos convive precariamente com comunidades indígenas próximas.
Estamos diante de uma das raízes literárias daquilo que, progressivamente, se transformaria no western.
E é exatamente isso que torna o livro tão importante para esta coleção.
É sobre onde nasceu o western!
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