Cinema negro brasileiro

A coletânea Cinema negro brasileiro , organizada por Noel Carvalho , traz um debate central da contemporaneidade para o campo do cinema brasileiro.A coletânea Cinema negro brasileiro, organizada por Noel Carvalho, traz um debate central da contemporaneidade para o campo do cinema brasileiro.
As alteridades sociais, de etnia ou gênero, compõem o espaço a que alguns se referem como identitário. Misturam-se, no caso brasileiro, a demandas sociais diversas que afligem não só as minorias, mas a imensa maioria da população. Questões envolvendo a representação da população negra ocupam um espaço em nossa filmografia até agora ignorado. Manifestam-se, em seu modo reacionário (o racismo) ou progressista, desde os primórdios de nosso cinema, atravessando o período mudo, o início do falado, a obra de nosso principal diretor da primeira metade do século, Humberto Mauro. Atingem, em suas distintas manifestações, o deboche e a ironia da chanchada, a preconceituosa pornochanchada, a produção folclórica dos grandes estúdios paulistas, o chamado cinema independente dos anos 1950. Eclodem, de modo mais afirmativo, na descoberta pioneira do empoderamento negro por Glauber, Cacá, Nelson e o Cinema Novo como um todo. Surgem nos filmes da retomada no fim de século e depois na explosão da produção que traz a experiência do racismo como fala própria, do lado de lá, no cinema mais jovem da segunda década do novo milênio. A vivência do preconceito e do racismo está nas imagens das produtoras alternativas digitais que emergiram com as grandes manifestações de meados dos anos 2010.
Cinema negro brasileiro mostra um caleidoscópio do conjunto dessa posição, inaugurando um novo recorte na tradicional linha diacrônica da historiografia tradicional. Constrói uma espécie de âncora alternativa, dialogando de modo dinâmico com o cânone da história do cinema fundado no século passado, sem escorregar na ameba midiática. Questiona, assim, uma visão antes mais homogênea e unitária da identidade popular e sua consciência. Aparece então a fissura da fissura, a irremediável decalagem exposta como fratura, na qual incidem as questões enfrentadas frontalmente pelo livro. O levantamento de imagens e narrativas esquecidas, ou pouco valorizadas, aponta para um iceberg em que a sensibilidade contemporânea dá forma a evidências antes ocultas em sua dimensão.
Fernão Pessoa Ramos
Coordenador da Coleção Campo Imagético

Procurando Cinema negro brasileiro? Aqui você encontra tudo sobre este livro de Carolinne Mendes da Silva em 24 de junho de 2022. Nesta página estão a descrição da obra, os detalhes da edição (288 páginas) e os formatos disponíveis para baixar: epub, pdf, lit, odf. O livro está escrito em Português. Se você gosta de Arte, Cinema e Fotografia, Fotografia, Filme e Videoarte, explore também outros títulos da mesma categoria no Leitura em português. Veja ainda as outras obras de Carolinne Mendes da Silva em nosso catálogo.

Número de páginas:288
Isbn 10:6556501344
Isbn 13:9786556501345
Encadernação:Capa Comum
Edição:13/03/2026 - 1a. reimpressão
Colaboradores Cinema negro brasileiro:Noel dos Santos Carvalho (Compilador)